Greg e sua gang



O ônibus estacionou em frente à pousada vizinha. No meio do burburinho juvenil em contraste com com nosso grupo de meninas melancólicas naquela tarde ensolarada e quente, ele se destacou. Calça jeans, camiseta branca básica, jaqueta de couro. Olhei em direção a ele franzindo a testa por causa do sol forte e aparando a mão sobre meus olhos e questionei, quase que sussurrando às minhas amigas: "mas por que diabos alguém estaria usando usando jaqueta de couro com esse calor infernal?". Ele parou, olhou para trás em minha direção e sorriu.






Na manhã seguinte, enquanto eu timidamente percorria o caminho entre o hotel a piscina, escondida sob uma enorme camiseta sobre meu biquini, ele estava lá, deitado sobre a mureta da varanda do quarto, fumando, uma perna esticada outra dobrada. Acelerei o passo, com certeza passaria desapercebida, mas foi inútil, ele deu um salto, se apoiou sobre a mureta e soltou um "fiu-fiu". Mas que cara abusado... ainda sorria para mim com malícia entre os lábios e eu apertava o passo nitidamente irritada. E assim foram várias manhãs durante aquela semana.

No quinto dia ele me ignorou. Mas, por que? Passei a observá-lo pela fresta da porta que separava o meu quarto da varanda. Ele era tão livre, tão solto, tão rebelde, tão feliz, aquele jeito rockabilly, o cabelo engomado com aquele topete balançando sob o vento, tão lindo. Quanto mais eu o via, mais eu queria vê-lo e passei a observá-lo de vários ângulos, sempre escondida, até o dia em que ele me flagrou espiando-o: "ei!". Saí correndo de vergonha e sumi por uns dias. 

Como eu não poderia ficar dias presa dentro de um quarto de hotel, decidi sair e no dia seguinte fiz o mesmo trajeto até a piscina. A mesma coisa, ele soltou um "fiu-fiu" mas dessa vez sorri e abaixei a cabeça. Ele percebeu enquanto os amigos comemoravam dando tapinhas em suas costas: "aêêêê".

E assim foi durante uma semana, nosso flerte infantil, sem malícia, ingênuo e puro. Seus amigos já se referiam a mim como sua namorada como minhas amigas sempre se referiam a ele como meu namorado. Era uma paquera saudável, cheia de expectativas e mistérios. Por quanto tempo duraria e como seria depois, afinal de contas um dia partiríamos daquela cidade, era algo no qual eu não pensava, só queria curtir aquele momento.

Numa determinada manhã, estranhamente o templo fechou. Tudo estava frio, triste e escuro. Sentei na porta do hotel e de repente uma movimentação na pousada dele. "Vamos, Greg, estamos atrasados!", alguém gritou. O vi entrando no ônibus. Meu Deus, ele está partindo... Levantei não querendo acreditar no que estava acontecendo e corri me aproximando o mais próximo da rua que pude. Foi mais forte do que eu:

- "GREEEEEEEGGGGGGG!"- o chamei num grito quase que mudo, sofrível...

Ele colocou a cabeça pela janela:

- "Qual o seu nome?"
- "Anna" - respondi com lágrimas nos olhos
- "Anna, eu te amo..." - ele disse, mandando um beijo em minha direção enquanto o ônibus se afastava e eu tentava acompanhá-lo até onde pude ir...




(Evandro Mesquista - Blitz: Greg e sua gang)












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